DIVISÃO DE CIÊNCIA
FEDERAÇÃO DA FROTA
ESTELAR DE SÃO PAULO

 



 

Estudo sobre o filme Jornada Nas Estrelas VI – A Terra Desconhecida

Por:
Contra-Almirante Sandro (Gork)


Estudo sobre o filme Jornada nas Estrelas VI – A Terra Desconhecida - (Star Trek VI – The Undiscovered Country) – 1991

Sinopse:

Após um incidente na principal fonte de energia do Império Klingon (A lua do planeta natal Klingon, Práxis), os klingons são forçados a procurar a Federação dos Planetas Unidos para um acordo de cessar hostilidades e cooperação, pois a estimativa de suporte de vida do planeta é de 50 anos, devido o fim da camada de ozônio.

Ambientação:

O ano de produção / lançamento é 1991. Em 26 de abril de 1986, a extinta União Soviética reportou ao resto do mundo o acidente de Chernobyl. Em 09 de Novembro de 1989 ocorreu a queda do Muro de Berlin, seguida do fim do comunismo na União Soviética, logo depois. Também neste período surgiram grandes estudos sobre a camada de ozônio. Nelson Mandela, condenado a prisão perpétua foi solto em fevereiro de 1990, o que anunciava grandes mudanças na política Sul Africana, que vieram a ocorrer em 1994 com o fim do Apartheid, após o lançamento desta produção

Estudos, evidências e discussão:

È muito fácil perceber os grandes paralelos existentes entre este filme, e os acontecimentos vividos na época de produção, colocando-se os Klingons como o lado “comunista”. Um acidente de grandes proporções atinge uma fonte de energia, que á a lua Klingon (Chernobyl é uma usina nuclear, uma fonte de energia). Logo após há a queda do Muro de Berlin, e da Cortina de Ferro, que pode ser comparada claramente à “Zona Neutra”. No universo ficcional de Jornada nas Estrelas, uma zona neutra é um tipo de "área desmilitarizada" entre dois territórios ou duas potências. Se qualquer uma das partes entrarem de forma não acidental numa zona neutra, isto pode ser considerado um ato de guerra.

Sabe-se que durante o período acima, houve grandes discussões sobre a redução de armas entre o bloco comunista e o bloco norte-americano, e também os estudos de substitutos ao CFC. Outro paralelo, que é algo recorrente na História da Humanidade, e que também se vê claramente neste filme, é o assassinato de um líder pacifista, não da mesma forma, mas por motivos banais, e pelo medo do desconhecido. Entre os pacifistas mortos os mais conhecidos são, Martin Luther King e Mahatma Gandhi.

Vemos também no filme que alguns grupos de facções inimigas podem facilmente conspirar nos bastidores, sem a anuência da principal autoridade, e de forma a manter seus interesses, não importando assim o benefício global.

No filme, o lado militar da Federação tinha medo que o tratado de paz “exterminasse” a Frota Estelar, e queria até o confronto direto, se aproveitando da fragilidade do oponente; e do lado Klingon, estes temiam que a federação viesse a “tomar” os territórios conquistados (o império Klingon é mais ou menos como o antigo império mongol), diminuindo o poder no império. Embora exista o caráter militar e de defesa, a Frota Estelar é majoritariamente um grupo de exploração.

O filme mostra também o conflito de um personagem, que teve seu filho morto pelos klingons, e agora tem que escoltar a missão diplomática de paz, o que lhe tiraria o “direito de vingança”. Ao contrario dos grupos citados acima, a personagem teve o discernimento que a paz traria maior benefício às duas potências, mesmo porque, existe uma terceira potencia, no cenário espacial, que é o Império Romulano.

Claramente podemos perceber que diferentes culturas e costumes podem causar estranheza a outras pessoas. Isso é visto claramente durante o jantar na nave. Também nesta visão, entra o racismo e o preconceito, que permeiam boa parte do filme, fazendo relembrar algumas frases de efeito, que caberiam bem substituindo a palavra comunista por klingon, como “comunista come criancinhas”. Também, durante o jantar alguém comenta sobre “direitos humanos” e é prontamente interpelado por um dos klingons que diz “direitos Humanos? A própria nomenclatura é racista”, o que no contexto do filme é real, e quase semelhante ao que acontecia à época na África do Sul (Apartheid).

Vemos também que um antigo membro da tripulação conseguiu subir de sua posição, chegando a capitão. Vemos que amizade (no caso do capitão da Excelsior) e a lógica (no caso do próprio Spock) são utilizados como pretexto à insubordinação.

Por fim, existem diversas referências às obras de Shakespeare. Citando  obras como Hamlet (“Ser ou não ser”) Julio César (“Libertem os Cães de Guerra”) e Henry IV (“os sinos à meia noite”), a maioria dita pelo personagem General Chang, do Império klingon, que foi vivido por um ator acostumado com as obras de Shakespeare. Em uma clara referencia cruzada, onde os alemães diziam que “ninguém conhece Shakespeare até ler o “original” em alemão”, fazendo uma referencia de que o dramaturgo era alemão, disse em um dos momentos, que “ninguém conhece Shakespeare, até ler o original em Klingon”.

Conclusão:

A franquia Jornada nas Estrelas é conhecida por “teletransportar” para o espaço os principais problemas da sociedade na época em que é produzida, e também pro permitir uma visão de futuro que na maior parte do tempo é otimista, sem perder a visão crítica ou histórica. Por exemplo, o primeiro filme, (Star Trek, The Motion Picture - 1979), mostra a preocupação com o desconhecido, como o “que há lá fora alem do que já conhecemos”, ou seja, não importa até onde a humanidade enxerga, o que existe mais adiante?

O filme 4 (Star Trek IV – The Voyage Home - 1986) mostra uma grande preocupação ambiental, fazendo a tripulação voltar ao passado para “resgatar” duas baleias que impediriam a destruição da terra. O ultimo filme, (Star Trek Nemesis - 2002) entra a fundo na discussão da clonagem.

No filme estudado, concluímos que o ambiente da época que foi produzido foi retratado de forma coesa. Analisando algumas passagens, percebemos que embora em uma escala maior, existe também no espaço o que chamamos de lobby. Sabemos que quem mais lucra com uma guerra é o fabricante de armas, e vemos paralelos muito semelhantes no filme.

Concluo que a justiça de um povo é algo muito relativo àquele povo. Infelizmente o filme não abordou o lado religioso. Interessante significado tem quando um vulcano deixa de passar uma informação. Vulcanos são uma raça ficcional, que tem com a lógica absoluta e a supressão dos sentimentos com principal fim de sua existência. Assim sendo, vulcanos não possuem sentimentos como alegria ou tristeza, e como são compelidos por lógica pura, são incapazes de mentir

(“Uma Mentira?” pergunta a oficial “uma omissão” responde Spock).

 




VIDA LONGA E PRÓSPERA......!


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