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Teletransporte

" Beam me up, Scotty! "

A série "Start Trek" tornou a teleportação famosa, mas a possibilidade ainda esta longe de concretização apesar de parecer hoje mais perto Curt Suplee Cientistas anunciaram que, pela primeira vez, foi possível efetuar uma forma de teleportação de informação - o eterno sonho dos escritores de ficção científica.

Uma equipa de investigadores austríacos conseguiu fazer com que algo se desvanecesse num dado ponto e reaparecesse instantaneamente a uns metros de distância - apesar de não haver qualquer ligação física nem qualquer forma de comunicação entre os dois locais.

O termo " teleportação " evoca visões de objeto a desintegrarem-se num sitio e a serem reconstituídos outro. No presente caso, o que os cientistas da Universidade de Innsbruck (Áustria) - cujos resultados foram publicados na última edição da revista britânica " Nature " -  teleportaram foi uma condição física: o estado de um fotão ( uma partícula de luz ) que, ao mesmo tempo que foi destruído num sitio, apareceu noutro.

No entanto, os cientistas não transportaram nada de maciço - nem nada tão volumoso como o comandante da Enterprise da serie "Star Trek". Embora isso não seja especificamente proibido pelas leis da física, a necessidade de determinar o estado exato de cada partícula subatômica do corpo humano e de enviar instruções que permitam reproduzi-lo outro local exigiria quantidades proibitivas de informação e proezas inimagináveis de processamento.

" Mesmo para um objeto tão pequeno como uma bactéria" diz Charles Bennett, investigador da IBM - e um dos seis teóricos que previram, ha quatro anos, o efeito de teleportação agora concretizado - " seria extremamente difícil e provavelmente tão problemático que não valeria a pena ".

Ao contrário do que acontece durante a transmissão de sinais de rádio ou de ondas ópticas, não houve, nesta experiência, absolutamente nenhuma espécie de ligação ou de comunicação entre os dois locais. Em vez disso, a informação foi transportada através de um processo de aparência ,esotérica chamado " teleportacao quântica ". Em teoria, diz Anton Zeilinger, um dos autores da experiência, " não existem limites " em termos da distância até onde o processo pode funcionar.

Um fenômeno fantástico.....

Daqui a uns anos, a técnica poderia permitir o desenvolvimento de " computadores quânticos " extremamente sofisticados, de novas maneiras de encriptar mensagens e de formas inéditas de armazenar informações acerca de entidades instáveis como os átomos que estão a beira de sofrer uma desintegração radioativas. " E um fenômeno físico fantástico ", diz ,William Wootters, físico do Williams College de Williamstown ( Massachusetts, EUA ), que previu o fenômeno juntamente com Bennett. " Agora, esta possibilidade teórica encontra-se ao nosso alcance ".

A histórica experiência agora anunciada baseia-se em duas particularidades da mecânica quântica, as regras freqüentemente obscuras contra-intuitivas que governam o comportamento da matéria e da energia as escalas mais pequenas. Os físicos descobriram no início do século que a essas escalas, a um dado instante no tempo, os objeto como as partículas subatômicas não possuem características específicas, fixas.

Pelo contrário, cada partícula e uma entidade ondulatória que pode ser definida por um conjunto de probabilidades de estar situada numa dada posição, de possuir um dado momento ou de se encontrar algum outro estado. De fato, estipula a mecânica quântica, uma partícula individual não possui qualquer propriedade específica até ser medida. O ato de medição obriga de alguma forma a partícula ou o fotão a " colapsar " de repente para um único conjunto de valores, destruindo todas as outras possibilidades.

Uma particularidade ainda mais estranha tem a ver com determinados processos físicos que produzem pares de partículas que tem de ter, por natureza, características opostas ou complementares. Por exemplo, se uma partícula do par gira no sentido dos ponteiros do relógio, a outra terá de girar em sentido contrário; se um fotão esta polarizado segundo um dado plano, o outro deverá estar polarizado em sentido inverso.

No entanto, tal como acontece com todos os objetos quânticos, nenhuma das metades destes coordenados - chamados " pares entrelaçados " ( "entangled pairs" ) - possui propriedades específicas antes de ser medido. Isto abre uma série de bizarras possibilidades, como fizeram notar Albert Einstein e os seus colaboradores Boris Podolsky e Nathan Rosen uma celebre análise em 1935.

Mensagens fantasma.....

Imaginemos, raciocinaram estes cientistas, que e criado um par entrelaçado de partículas, A e B e que a seguir estas partículas saem disparadas para o espaço em sentidos opostos. Conforme as exigências probabilísticas da mecânica quântica ( da qual Einstein desconfiava imenso argumentando que Deus " não joga aos dados " com o universo ), nenhuma das duas partículas tem características definidas ate ser medida. Imaginemos ainda que esperamos até as partículas se encontrarem a milhões de quilômetros de distância uma da outra para medir a partícula A. O ato de medição obriga-a adaptar um conjunto fixo de propriedades entre as suas inúmeras possibilidades.

Mas, dado que a outra metade do par, B, tem de ter as propriedades opostas, o ato de medir A " diz " instantaneamente a B o que ela deve,ser.
E como as partículas se encontram a milhões de quilômetros de distância uma da outra, isso significa que essas instruções terão de viajar de alguma maneira de A ate B muito mais depressa que a luz, algo de totalmente proibido pelas leis da física.

Einstein raramente se enganava. Mas muitas experiências tem mostrado que o efeito que ele descartou com desprezo como sendo " uma ação sobrenatural a distância " constitui um aspecto fundamental da Natureza. E é o principio que esteve por trás da experiência feita em Insbruck.

Zeilinger e os seus colegas quiseram ver se conseguiam teleportar informação quântica entre um emissor e um receptor, neste caso, entre dois agrupamentos de aparelhos montados num banco de equipamento óptico. A equipe criou para isso um par de fotões entrelacados e enviou um dos fotões (A) para a posição do emissor e o outro (B) para a do receptor, a um ou dois metros de distância uma da outra. A seguir, os cientistas enviaram para o emissor um terceiro fotão (C), cuja polarização específica constituía a informação - a " mensagem " - que queriam transmitir.

O equipamento do emissor combinou C e A, formando um outro par entrelaçado. A seguir, mediu esse par, destruindo ambos os fotões no processo.

A polarização de C era conhecida e A tinha portanto de ser o oposto de C. Mas, por definição, A também tinha de ser o oposto de B, o fotão que tinha sido enviado no início para a posição do receptor. Portanto, visto que A era o oposto de C e B o oposto de A, B tinha de ser igual a C. Ou seja, se tudo se passasse como previsto, o estado de polarização do fotao C seria corretamente teleportado para o fotao B - apesar de os dois fotões nunca terem estado em contacto um com outro.

Quando os experimentadores olharam para o detector de fotões situados na posição do receptor, isso foi exatamente o que observaram de cada vez que fizeram a experiência. " Daria tudo para saber o que Einstein teria pensado disto ", diz Zeilinger.

Uma equipe italiana [ dirigida por Francesco De Martini, do Instituto Nacional de Física em Roma ] obteve recentemente resultados semelhantes, segundo o artigo que acompanha na " Nature " a publicação dos resultados da equipe austríaca. Este tipo de descobertas poderão acelerar o desenvolvimento de um " computador quântico " legível, dentro do qual as partículas existam simultaneamente em vários estados sobrepostos, podendo portanto efetua vários cálculos ao mesmo tempo.

Exclusivo " The Washington Post " / PUBLICO

 




VIDA LONGA E PRÓSPERA......!


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